BEM-VINDOS!

PARAHYBA    BRASIL    MAIO   2026

Este é o nosso BLOG, onde você conhecerá um pouco do ARTISTA e da sua OBRA, navegando nos generosos DEPOIMENTOS sobre a minha trajetória durante esses 50 anos de ATIVIDADE ARTÍSTICA E EXPOSIÇÕES e também em inúmeras REPORTAGENS na mídia. Acompanhará os projetos que estou realizando agora: PARAHYBAVISTA; JOÃO & MARIA; FLORESTA ARDENTE QUEIMADAS. Poderá acessar nossa GALERIA VIRTUAL, me acompanhar no INSTAGRAM e visitar a MINHA CIDADE...

Respire fundo e vá mergulhando... Siga o blog e dê uma espiadinha nas novidades que publico. Sem pressa... Foram anos de trabalho meticuloso para chegar até aqui, pertinho de você...


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A ARTE PRIMEVA DA HUMANIDADE: XAMÃ - PINTURA E FÉ NA CAVERNA!

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

FELIZ 2020!

Que todos tenhamos um ano 2020 melhor que o ano 2019... 
Que Deus nos livre logo de todo mal, não esperando para fazer isso apenas em 2022...


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

430 anos: Parabéns, Parahyba!

A CIDADE VERDE


Conhecida como a cidade onde o sol nasce primeiro, devido ao ponto mais oriental das Américas se localizar aqui, nossa velha e charmosa Parahyba se esparrama verde e lindamente entre a belíssima praia do Cabo Branco e o crepuscular rio Sanhauá, oferecendo aos habitantes uma verdadeira viagem pelo presente e pelo passado.

Esta é uma vista parcial de um edifício da rua Duque de Caxias, vendo-se em segundo plano a maçonaria, na rua General Osório. Em seguida, no terceiro plano, o varadouro, com o centro histórico e a igreja de São Frei Pedro Gonçalves e o rio Sanhauá dançando entre o manguezal e sumindo pelo canavial, levando nossos olhos ao horizonte, ao sertão!

PORTO DO CAPIM E VARADOURO: A FUNDAÇÃO


A cidade de João Pessoa teve vários nomes antes da atual denominação. Primeiro foi chamada de Nossa Senhora das Neves, em 05 de agosto de 1585, em homenagem ao Santo do dia em que foi fundada. Depois foi chamada de Filipéia de Nossa Senhora das Neves,a Sua Alteza, o Príncipe Orange, Frederico Henrique. Novamente mudou de nome, desta vez em 29 de outubro de 1585, em atenção ao rei da Espanha D. Felipe II, quando Portugal passou ao domínio Espanhol. Em seguida recebeu o nome de Frederikstadt (Frederica), em 26 de dezembro de 1634, por ocasião da sua conquista pelos holandeses, em homenagem  passando a chamar-se Parahyba, a 01 de fevereiro de 1654, com o retorno ao domínio português, recebendo a mesma denominação que teve a capitania, depois a província e por último o Estado. Em 04 de setembro de 1930, finalmente recebeu o nome que tem hoje...

CABO BRANCO: ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO




PARAHYBA 

Entre o acaso e o descaso secular, 
tão retocada em intervenções e tantas transações, 
urbe resistente de sonhos persistentes entre o rio e o mar. 
Sobrevive a todas vis emulações e especulações. 
Filipeia sensual pelo manso rio lambida, 
Ponta do Cabo Branco pelo bravo mar ferida. 
(Bruno Steinbach Silva)

Imagens: Pinturas de Bruno Steinbach Silva, série Parahybavista - Agonia e Êxtase




domingo, 5 de abril de 2015

RESSURREIÇÃO

"Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá."



Salvador Dalí
Ascensão de Cristo, 1958.



“Ao longo de séculos e séculos artistas pintaram a ascensão de Cristo, com o messias frontal, tranquilo e belo, cercado de anjinhos, com o olhar piedoso que aparece em mosaicos bizantinos, afrescos medievais, telas renascentistas, arte sacra. Foi preciso, contudo, a loucura de Dalí para trazer à tona um Cristo diferente daqueles, deitado, sem rosto, ascendendo em luz e energia. No centro, no primeiro plano, estão os pés do ressuscitado, dando o equilíbrio à cena que circunscreve o momento em que a carne é transmutada em espírito. Humano de pés juntos é morto, mas sem chagas, curadas no dualismo da divindade. No alto o recebem o Espírito Santo, no pássaro branco de sempre, e Deus, representado por Gala, a mulher e musa, o grande amor de Dalí, em lágrimas. Das mãos contorcidas em força, escapa a energia do momento, atômico, nuclear, assim como o sol se expande em luz, destacando o núcleo, o átomo. Tudo paira sobre um mundo terreno, minúsculo, insignificante, acima dele a trindade, na geometria triangular que se forma entre os braços abertos, Pai, Filho e Espírito Santo. Um Cristo em ascensão, recebido nos céus em energia liberada e força simbólica, iluminando o olhar dos espectadores, traçado em tinta no imaginário da fé. “

(por Homero Nunes)


sábado, 14 de fevereiro de 2015

ARLEQUIM


BOA TARDE!
♪ ♫♩♫♭♪♯♬♮♫♩♫♭♪♯♬♮♬♪♫ 
APROVEITEM BEM O CARNAVAL!
Arlequim: "Abram asas que eu quero voar!"

Arlequim é fruto da nona ninhada de Zefinha e Salatiel, que escolheram a varanda da minha caverna para fazerem seu ninho, em janeiro de 2014. O outro filhote não vingou, não quis sair do ovo, apesar de toda dedicação de Salatiael e Zefinha, que se revezavam nos cuidados. Seria Colombina.
Arlequim deixou o ninho hoje, talvez à procura de um bloco abre asas...

Conheça alguns dos nossos VISITANTES ALADOS...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Boa viagem, Oscar Niemeyer!

Boa viagem, poeta das infinitas linhas curvas.

Na imagem:
"Colagem" de desenhos de Oscar Niemeyer sobrepostos a foto da Estação Cabo Branco (João pessoa, Paraíba), que foi projetada por ele.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

BEIJO

“O beijo é um segredo que se diz na boca, não no ouvido”.



Bruno Steinbach. “Beijo”. Infogravura/papel couchê, 29,7 x 42 cm. 2010. Parahyba, Brasil. 

Se quiser imprimir em uma camiseta para presentear o seu amor, faça download da imagem em alta resolução no link abaixo (é grátis):
https://docs.google.com/open?id=0B68Ta5gzknKLZ29TRWNVRF8xdXc

terça-feira, 24 de abril de 2012

COQUETEL DE TINTAS


"A vida fugaz lá fora me cantando,
e eu as cores do Cabo Branco amarrando...
O sol nascente toda a praia escaldando,
e eu aqui com as pinceladas de vida sonhando...

Sonhando vou preparando meu coquetel de tintas,
pois quem sonha conta histórias distintas...
Quem tem histórias distintas pra contar,
tem sempre um Anjo lindo a escutar..."



* Terça-feira, 24 de abril: 8º e último dia de trabalho no novo painel "Ponta do Cabo Branco, opus IV. 
Dia 25 o SESC inaugurará o seu novo hotel e ele estará lá, debutando...

terça-feira, 6 de março de 2012

DUNAS

Mulher...
Admirarei a tua beleza;
como um alpinista escala as suas montanhas,
subirei corajosamente nas tuas maravilhosas formas, 
de onde escorregarei suavemente como nas dunas das belas praias de minha terra.


Bruno Steinbach. "Dunas". Óleo / Tela, 60 x 68cm, 1984, João Pessoa, Paraíba, Brasil.


domingo, 11 de dezembro de 2011

CABO BRANCO


CABO BRANCO

O Cabo Branco me encantando,
e eu na caverna o Cabo Branco pintando...
A lua cheia me tentando,
e eu aqui encantado o meu sonho realizando...

A vida fugaz lá fora me cantando,
e eu as cores do Cabo Branco amarrando...
O sol nascente toda a praia escaldando,
e eu aqui com as pinceladas de vida sonhando...

Sonhando vou preparando meu coquetel de tintas,
pois quem sonha conta histórias distintas...
Quem tem histórias distintas pra contar,
tem sempre um Anjo lindo a escutar...

O Cabo Branco então me vence,
e com maravilhosa beleza me convence...
Agora me despeço aqui deste lugar,
e como escolhido para lá vou navegar...
Navegante da vida e amante do mar,
mergulhando no mundo com desejo de amar!
Bruno Steinbach. "Cabo Branco, Opus I". Infogravura / papel couchê, 29,7 x 42 cm, 
2009, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Da série Parahybavista.
Vizinho à Praia do Seixas, ponto mais oriental das américas, localizado na cidade de João Pessoa, estado da Paraíba, nordeste do Brasil. "Onde o sol nasce primeiro e os amantes se encontram".





 

domingo, 29 de maio de 2011

PENSAMENTOS ABUNDANTES





Ancas e Bundas.                                        
                  por Bruno Steinbach 
Feliz da criatura que é dotada de maravilhosas ancas. Pois há as que têm bundas, mas não possuem ancas.
As ancas são magníficas curvas modeladas nos ilíacos, nos quadris, no doce e aromático limiar entre as côxas, a bunda feminina e a
convidativa floresta do púbis, guardiãs do entorpecente e fértil vale de inesquecíveis e alucinantes prazeres, esculpidas pelo gingar do  esplendoroso chassi e pelo formidável caráter da fenomenal e privilegiada Mulher que as carrega, impreterivelmente, sobre lindas e bem torneadas pernas. Elas são as soberbas guardiãs de inimagináveis mistérios, de raras iguarias e de fabulosos tesouros escondidos, visitados apenas por uns pouquíssimos e afortunados mortais escolhidos pelo sagrado feminino.



Carta de Maria
Brilhantes seus ‘pensamentos abundantes’ e ainda sob o teor de serem bem vividos e tão reais… Muito a contento, onde todas conhecerão ainda mais um reinado de imagens onde és o rei e impetuoso pintor desse tempo intrigante e feliz. Criativo, circunsoante, movente, aguçado, como a terra profunda, meu querido pintor, o envoltório desse seu texto é ouro encontrando imensa poesia de imagens…
Tais nobrezas devem ser assim; vorazes como milagres… Onde deita-se e prova.
Mas enquanto o mundo grita, caríssimo, cobrimos tudo de beijos… Pulsando e escorrendo palpitantes…
Todavia, será impossível impedir às mulheres de ficarem molhadas…
Beijos!
Maria
Bruno Steinbach. "Sem Título". Óleo/tela, 68x60 cm, 1984, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Catálogo 15. Coleção: Walkíria Forte, João Pessoa-Pb. Catálogo 14.        Bruno Steinbach. "Sem Título". Serigrafia/papel cançon, 48x66 cm, 1987, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Coleção: Rosanna Chaves, João Pessoa-Pb. Catálogo 23.        Bruno Steinbach. "Sem Título". Serigrafia/papel cançon, 76x56 cm, 1985, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Coleçao: Rosanna Chaves, João Pessoa-Pb. Catálogo 17.       Bruno Steinbach. "A mulher e o quadro". Óleo/tela, 90x120 cm, 1990, Presídio do Róger, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Coleção: Leonardo Fontes Silva, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Catálogo 41.               Bruno Steinbach. "Bunda". Acrílica/tela, 50 x 70 cm, 1995, Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil. Coleção Particular. Catálogo 53.

domingo, 17 de abril de 2011

“HARIEL e ALADIAH"

     
Bruno Steinbach. "Transcendência dos Sentidos - o Céu de Aladiah". Acrílica/cartão, 95 x 75 cm, 1998, Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil. Da série "Nômades Amantes do Tempo. Acervo do Artista. Catálogo 80.Bruno Steinbach. "Transcendência dos Sentidos - Estágio Alfa". Acrílica/cartão, 95 x 75 cm, 1998, Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil. Acervo do Artista. Catálogo 81.             Bruno Steinbach. "O Beijo Gitano - O Sonho de Aladiah" .Acrílica/cartão, 75 x 95 cm, 1998, Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil. Da série "Nômades Amantes do Tempo". Acervo do Artista. Catálogo 79.                     
        
 
“Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
…até ser e não ser senão na sombra de um raio."
 

 

domingo, 22 de agosto de 2010

AMOR NÃO ANDA EM BECOS


Ela uma vez estivera afirmando que o amor encontrava-se em um beco sem saída...

Amor não se deixa apanhar em becos ou vielas lúgubres nem tampouco se deixa emparedar...
Ele flutua livremente acima de tudo.
Mas para acompanhá-lo em sua jornada... Ah! Há que sermos puros, despretensiosamente desprendidos e leves, para que a brisa suave, quase um redemoinho delicado, nos envolva e nos eleve ao éter. Há que termos paixão para superarmos o medo da vertiginosa altura a que alçaremos voo e destreza para alcançarmos velocidades alucinantes que nos movam além dos limites do espaço tempo conhecido e, assim, nos tornarmos atemporais.
Senão, nós é que seremos prisioneiros de um beco sem saída, pesados e ancorados na falsa e angustiante sensação de lugar comum em uma ruela segura e sem graça que não leva a lugar algum.
E nós somos livres, senhores árbitros do destino! Livres, pois apesar de todas as muralhas nós temos espíritos livres! Espíritos nômades que as suas correntes não conseguem abarcar... Nós somos os amantes de Deus. Nós somos os viajantes do tempo. Nós somos os Nômades Amantes do Tempo!
 


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

GLÓRIA VASCONCELOS


"Glória Vasconcelos". Bruno Steinbach. Infogravura, Paraíba, Brasil, 2009.

Uma das maiores vozes femininas:
A cantora Glória Vasconcelos, que na década de 80 encantava a todos com sua voz e suas interpretações, sendo considerada pelos críticos a Elis Regina paraibana. A cantora teve sua carreira interrompida drasticamente, em 1986, quando foi atropelada enquanto andava de bicicleta, na praia de Tambaú.
Em sua homenagem foi criado o Projeto Glória Vasconcelos, do Sesc-PB.
O projeto Glória Vasconcelos desenvolvido pelo Serviço Social do Comércio (SESC-PB), unidade Centro João Pessoa, mostra a sua proposta de apresentar e divulgar grupos e atrações locais que têm potencial artístico e não são apresentados ao público frequentemente. Para a coordenadora da área de música do SESC-PB, Rosanna Chaves, esta é mais uma oportunidade de grupos e bandas locais mostrarem o potencial que têm em musicalidade. “Estamos há mais de quinze anos abrindo espaço para essas pessoas que querem mostrar um pouco do que sabem, e isso é muito bom porque surge muita coisa boa em termos musicais”, relata.


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

LÚCIO LINS E O CABO BRANCO

"Lúcio Lins e o Cabo Branco". Bruno Steinbach. Infogravura/papel couchê, 40 x 30 cm, 2009,
João Pessoa, Paraíba, Brasil.
CABO BRANCO
extremo Cabo Branco

estranho trampolim
ao contemplar o atlântico
o mar mergulha em mim

Noite de Estrelas!
Conheci Lúcio na noite... Geralmente e quase sempre sem beber (ele, tomando coca-cola, "vai de retro, álcool!" ). Mas tinha uma paciência com os que bebiam! Acompanhei a "era" do Travessia e do Clube da Esquina (fundados por ele). Inflenciou muito a minha pintura na sua fase sensual, me sugerindo temas e imagens. Fiquei devendo o seu retrato, que lhe havia prometido. Motivos alheios à nossa vontade nos afastaram e não pude conviver com ele o tempo que gostaria e nem lhe dar Adeus... isso com certeza teria feito de mim um ser humano melhor!
Eis o retrato. Promessa feita, dívida cumprida!
Bruno Steinbach Silva
IMAGEM:
Eu e Lúcio Lins nos "preparando" (e esperando Golinha) para irmos ao Travessia, bar da "pesada" inaugurado por ele (um ponto de encontro de sucesso na noite de Jampa, nos anos 80/90, com música ao vivo executada por excelentes músicos da mpb). Estávamos aqui no bar do argentino, na galeria Lombardi, na praia de Tambaú, João Pessoa, Paraíba, Brasil, 1987.
(imagem cedida por Léa Lins)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Se Todos Fossem Iguais a Você

“Lala” © 2004 by Bruno Steinbach - Todos os direitos reservados.

Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre teus braços e canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer
Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

"Retrato de Lala"( Alaíde Maria Fernandes Fonsêca )
Um grande amor!
Uma mulher linda, fascinante, brilhante... Maravilhosa!
Tão maravilhosa que Deus não teve paciência de esperar que envelhecesse ... e a levou, muito antes da hora!
Óleo / papel cançon, 66 x 48 cm, 1987,Camboinha , Cabedelo - Paraíba, Brasil.
Acervo do Artista.




sábado, 29 de novembro de 2008

Soneto de Fidelidade

© 2001 Bruno Steinbach - Todos os direitos reservados.
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Vinicius de Moraes

terça-feira, 25 de novembro de 2008

JOSÉ




© 1989 Bruno Steinbach - Todos os direitos reservados.

José

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta?
E agora, José?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse...
Mas você não morre,você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José!

José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade




domingo, 23 de novembro de 2008

CABO BRANCO

Imagem: Bruno Steinbach. "Cabo Branco 7". Infogravura/esboço, Parahyba, Brasil. 2008.

CABO BRANCO

Extremo Cabo Branco

estanho trampolim

ao contemplar o atlântico

o mar mergulha em mim

Lúcio Lins

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

ABRAÇO

"Abraço". Bruno Steinbach, Óleo/tela, 100x80 cm, 2004, João Pessoa-Pb.
Abraça-me
porque o tempo passa e não retorna.
Aperta-me em teus abraços
Antes que eu me arrependa.
O tempo nunca se mostrou amigo,
Abraça-me e me faz esquecer o tempo.
O tempo esquece os sonhos
e passa por cima dos planos
e nossos sonhos se perdem.
O tempo passa e não volta o mesmo.
Abraça-me antes que tudo seja esquecido.
Aperta-me em seus braços
Antes que o lamento chegue.
Eu quero estar em seus braços
Para que o tempo passe por nós
Deixando-nos para sempre juntos...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Beijo

Florbela Espanca
Realidade
Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho...
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho...
Embriagou-me o teu beijo como um vinho Fulvo de Espanha, em taça cinzelada... E a minha cabeleira desatada Pôs a teus pés a sombra dum caminho...
Minhas pálpebras são cor de verbena, Eu tenho os olhos garços, sou morena, E para te encontrar foi que eu nasci... Tens sido vida fora o meu desejo E agora, que te falo, que te vejo, Não sei se te encontrei... se te perdi