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PARAHYBA    BRASIL    MAIO   2026

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domingo, 17 de maio de 2026

BALAUSTRADA DAS TRINCHEIRAS

Não foram poucos os belos crepúsculos que vivi saboreando bons vinhos debruçado naquela balaustrada que remetia à minha infância, pois durante várias fases vivi nas trincheiras e alhures.

Mas com a noite chegando e com ela os perigos daquela área que não tinha mais a tranquilidade de outrora - ao ponto que eu precisava ir equipado com meu "Equipamento de Proteção Individual" contra cabra safado, era a chegada a hora de bater em retirada para minha caverna ali perto, onde  a suavidade do vinho e a saudade dos amores  virados em estrelas sempre me acompanhavam na cama vazia.

Feliz de quem consegue ter saudade!

Então pintei esta aquarela.

Bruno Steinbach Silva: "Balaustrada das Trincheiras". 
Infogravura / papel couchê, 29,7 x 42 cm, 2008. João Pessoa, Paraíba, Brasil.
PINTURAS E GRAVURAS PARAHYBAVISTA


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

OLHO POR OLHO

Bruno Steinbach: "Olho por olho". Óleo/tela, 100 x 80 cm, 1999. João Pessoa, Paraíba, Brasil.
Coleção: Tito Lívio. João Pessoa, Paraíba, Brasil.

Há 25 anos levei essa pintura como um presente para Dr. Tito - um agradecimento ao oftalmologista que à época cuidou durante um bom tempo dos meus olhos, cuidou muitíssimo bem, tanto que só décadas depois, em 2016, é que comecei a ter problemas terríveis neste olho que me atormenta desde 1991, quando realizei a primeira cirurgia de exerese de pterígio -  que teve recidiva no ano seguinte e sempre me incomodava, me forçando a fazer todo tipo de tratamento com os melhores oftalmologistas da Paraíba. Em 2019 nova cirurgia com enxerto autólogo de conjuntiva que não deu certo: necrosou, o que me fez fazer nova cirurgia em setembro de 2023, que também não deu certo, com nova necrose e danos definitivos na córnea, na conjuntiva, na esclera, no "humor vítreo", no cristalino e uma suspeita de carcinoma basocelular nas pálpebras... enfim, que agora está cego, com inflamação e dor crônicas. 


Diante da impossibilidade de recuperação da visão desse olho pelo oftalmologista que me operara, segui a sua recomendação para esse tipo de caso: olho cego com inflamação e dor crônica, que é a plástica ocular.  Já sem recursos financeiros, recorri então, em abril de 2024, ao ambulatório de plástica ocular, no departamento de oftalmologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley, da UFPB. Me submeteram a todo tipo de exames sofisticados, inclusive tomografia computadorizada de órbita com contraste (alguns exames caros foram realizados em hospitais particulares, devido a problemas momentâneos para a realização dos mesmos no HULW). Depois de inúmeras idas e vindas, enfrentando longas filas e esperas intermináveis, em outubro de 2024 chegaram à conclusão que eu teria que fazer uma enucleação (retirada total do globo ocular), procedimento que o HULW não realiza (?!) - fato confirmado pela Ouvidoria da plataforma do site GOV.BR (comunicação simultânea com o Hospital Universitário, a EBSERH e a CGU) - apesar da cirurgia ser incluída na relação dos procedimentos cobertos pelo SUS e fazer parte das práticas de ambulatórios de plástica ocular. A oftalmologista responsável pela ambulatório de plástica ocular chegou ao absurdo de fazer uma recomendação informal, não regulada, por escrito, para que eu fosse procurar a oftalmologista Dra Virgínia Torres, para realizar o procedimento no Hospital das Clínicas de Recife (vide imagem abaixo). 

Isso me deixou surpreso e muito decepcionado; afinal, o Hospital Universitário da UFPB é referência no Brasil e é conhecido pela excelência dos profissionais que nele trabalham. 

Resumo da ópera:


O olho ficou na mesma (só vê para dentro - como escreveu o nosso poeta maior Sérgio de Castro Pinto em um dos seus maravilhosos poemas. O lado bom é que conheci algumas médicas maravilhosas que estão cuidando do meu olho bom (o que vê para fora), tenho um prontuário aberto no hospital e poderei fazer exames de vista regulares gratuitamente no olho bom. Não posso esquecer das competentes e generosas profissionais da Ouvidoria do hospital, que sempre me ouviram e orientaram com a maior gentileza e atenção.

Após o contato com o Hospital das Clínicas de Recife e com a própria Virgínia Torres recebi a comunicação da impossibilidade de agendar o tratamento por lá, pois aqui em João Pessoa-PB há quem faça e é onde estou cadastrado no SUS - além da indisponibilidade de agendamento devido a enorme demanda. Após pesquisa  constatei que aqui em João Pessoa vários hospitais realizam esse tipo de cirurgia, inclusive pelo SUS (HBOL, Hospital Napoleão Laureano, etc).

Esse olho não tem mais jeito para recuperar a visão. Estou é rezando para que consigam tirá-lo de mim e me livrarem da dor. Então, em dezembro de 2024 procurei um oftalmologista em atendimento particular especializado em plástica ocular que me orientou para realizar uma biópsia nas pálpebras, pois suspeitou da presença de um carcinoma. Eu teria que realizar uma pequena cirurgia para retirada de material para biópsia e outros exames caros. Pela primeira vez em anos o caminho que o oftalmologista (este) está percorrendo é o mesmo que eu ia pedir para ele percorrer. Médico com M maiúsculo: me escutou, leu o histórico que eu tive um trabalho danado para organizar (e que os outros nem leram) e me ouviu, olhando no olho (só tenho um que enxerga). Resumindo: o que nós estamos achando que eu tenho e que ele evitou falar o nome não está no olho, mas em toda a órbita ocular, especificamente na parte mole, na pálpebra inferior (onde há um tumor e também dor e ardor). Se estivermos pensando certo, novos exames que farei a seguir é que confirmarão. Não vai se tratar apenas de me livrar da dor, mas de me manter vivo! E nesse caso será uma cirurgia bastante agressiva em que o olho e as pálpebras terão que ser retirados (se chama exenteração) e o local que faz isso aqui é o Hospital Napoleão Laureano, onde terei que ser internado e fazer várias cirurgias de recuperação da "fachada". Dependendo da extensão da anomalia, poderá ser necessário um tratamento muito complexo, com outras cirurgias reparadoras, internações demoradas... Então, temos que ter muito cuidado para evitar erros e traumas irreversíveis.
Me sinto confiante diante da competente capacidade investigativa do médico, na busca de um diagnóstico assertivo para o adequado tratamento da doença.

Diante do elevado custo desses procedimentos, resolvi fazer  o tratamento pelo SUS, deixando para procurar novamente este médico para consultas e futuras correções estéticas.  Procurei a orientação de um advogado, pois ninguém é obrigado a ficar esperando indefinidamente pela boa vontade de funcionários morosos - e iniciei a "via crucis" na burocracia do SUS: já consegui o encaminhamento da médica clínica geral da USF onde estou registrado, com a tarja de urgente vermelho para um oftalmologista, com a recomendação de provável necessidade de enucleação (imagem abaixo). 

Agora é esperar a ação da agente comunitária de saúde; caso demore muito, procurarei a Ouvidoria da secretaria de saúde do município de João Pessoa; se não resolverem, vou para a Ouvidoria do SUS, no Ministério da Saúde e entrarei com ação judicial em busca de uma liminar que obrigue a me tratarem como eu tenho direito.

Confesso que estou um pouco assustado com os efeitos funcionais e estéticos do pós operatório - estive estudando bastante o assunto, assistindo a vários vídeos e algumas imagens são aterradoras. Dependendo da área afetada e que deverá ser retirada, há possibilidade de um pós-operatório doloroso e demorado: uma complicação para um idoso que mora sozinho - me refiro às tarefas do dia a dia que a manutenção de uma casa exige e que sempre foram efetuadas por mim (pretendo continuar assim, no modo "solitude"). Tais procedimentos cirúrgicos exigem um período de repouso absoluto, então talvez meu pós-operatório seja numa pousada ou coisa do tipo, pois não irei "alugar" ninguém.  Enfim, por isso desabafo por aqui, pois os comentários que recebo me acalmam e me fortalecem.
Vamos em frente!

Se Deus quiser neste ano conseguirei fazer a cirurgia de enucleação - que é a retirada total do globo ocular, quando o olho está cego, sem condições de tratamento e com dores crônicas - ou exenteração - retirada total além do globo ocular dos corpos moles da órbita no caso de presença de carcinoma basocelular na conjuntiva palpebral - e enfim me livrar dessa dor infernal. A dificuldade é simplesmente "liseu", por isso a demora. A demanda de pacientes no SUS é enorme e são muitos os exames sofisticados e demorados que tenho que fazer antes de arrancar um olho, inclusive algumas cirurgias ao redor do globo ocular, nos chamados corpos moles, para averiguar a presença de malignidade. Explico isso porque recebo muitas mensagens de orações, oferecendo endereço de médicos em outros Estados, etc. Agradeço muito a todas essas mensagens de solidariedade, mas não se trata de nada disso: se eu tivesse "um saco de dinheiro" já teria resolvido esse problema. Mas não vou sair por aí fazendo "vaquinha" nem pedir para a minha família arcar com essas despesas - pois já me ajudam muito, com moradia, medicações e alimentação. Tampouco vou implorar a médicos parentes ou amigos, que conhecem muito bem o meu problema e se fazem  omissos (se meu pai Isaías Silva e meu irmão Carlos Augusto Steinbach Silva, os melhores médicos da minha família, quiçá da Paraíba, ainda estivessem vivos certamente eu não estaria passando por esse infortúnio - mas já não "se faz médicos como antigamente").


Tenho direito ao SUS e será através dele que vou resolver esse problema. Todos nós sabemos do inferno de burocracia que há no SUS: o jogo de empurra-empurra, a dormência de alguns funcionários encarregados da regulação/marcação dos exames - principalmente nos exames e para os especialistas - inclusive há uma investigação sobre "fila dupla" sendo realizada pela Polícia Federal...


Afinal, cego de um olho e com muita dor, estou no último degrau que é a fila da esperança... Esperança de não "ver" mais a dor.

Acredito que Santa Luzia e Santa Dulce (a Santa baiana soteropolitana conterrânea, contemporânea e amiga da minha mãe) darão uma forcinha, para que venham os chamados e a medicina resolva este meu problema. O importante é me livrar dessa dor, mesmo ficando caolho - Camões tinha um olho só, Lampião tinha um olho só e o grande herói de Israel Moshe Dayan tinha um olho só...😉


Mas se há uma coisa que eu tenho é esperança, resiliência e paciência. 

Vou conseguir!
E é com confiança na minha perseverança que vou focar toda minha energia para realizar essa cirurgia neste ano novo. E que esta imagem venha um dia a se tornar um ex voto. 

Um feliz 2025 para todos vocês que estão lendo isto aqui agora. Um ano de esperança e paciência... Muita paciência. 






domingo, 1 de outubro de 2023

UM ANJO VOLTANDO À TERRA

Após a sua ascensão aos céus através da criação do artista, o Anjo caído volta à Terra em busca da sua amada humana, numa alucinante e vertiginosa reentrada na atmosfera terrestre.

 
Recebi de Inaldo Leitão esta imagem no interior da loja* de Rafael, que colocou o chassi na tela e esta linda moldura na obra.

"Nômades Amantes do Tempo - A Volta à Terra". Bruno Steinbach Silva, acrílica/tela, 100 x 120 cm, pintado em 28/11/1992 no Presídio do Roger, João Pessoa, Paraíba. Restauração concluída em 05 de julho de 2023. Coleção: Inaldo Rocha Leitão.

NÔMADES AMANTES DO TEMPO
Essa e outras pinturas dessa época foram o embrião para uma série de inúmeras obras expostas anos mais tarde em duas grandes exposições no Rio Grande do Norte (Mossoró e Natal) que contam uma história lúdica de amor entre dois seres que se reencontram em várias encarnações, os nômades amantes do tempo. 

Acima, o Museu Municipal de Mossoró

Abertura da Exposição "Nômades Amantes do Tempo". Bruno e France com convidadas.1998, Museu Municipal, Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil.




Acima, abertura da Exposição Nômades Amantes do Tempo. 1998, Capitania das Artes, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Uma história real de amor atemporal, de dois amantes viajantes perdidos no espaço tempo de várias existências repetidas, as separações causadas pela morte e a busca do reencontro em novas vidas do artista e da sua musa...

"A nossa arte é o nosso amor, a nossa esperança. E como o homem não é escravo por perder a liberdade, mas quando perde a esperança, e como nós não perdemos a esperança... Nós somos livres, senhores árbitros do destino: Livres, pois apesar de todas as muralhas nós temos espíritos livres! Espíritos nômades que as suas algemas não conseguem abarcar... Nós somos os amantes de Deus. Nós somos os viajantes do tempo. Nós somos os Nômades Amantes do Tempo!
(Texto do artista para a exposição)


Veja a série temática no álbum do Google:

https://goo.gl/photos/UiRF7LqmCCxSoQDx9


*Casa Jorge Molduras (e telas) 

Av Nossa Senhora dos Navegantes, 430-A, Tambaú. João Pessoa-PB 58039-110

casajorge@uol.com.br

Celular: (83) 98880-1230

WhatsApp: +55 83 8880-1230