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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Boi Sol, opus I - A geopolítica da fome".

CADÊ A ÁGUA DO VELHO CHICO?

PORRADA DE DINHEIRO GASTO, DERRAME NA ELEIÇÃO...
E NADA DA TRANSPOSIÇÃO PRO NOSSO SERTÃO!
ATÉ QUANDO, SÃO FRANCISCO? 
ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR ESSA EMBROMAÇÃO?



"Boi Sol, opus I - A geopolítica da fome". Infogravura / papel sulfite 180 gr, 29,7 x 42 cm, 2012. Paraíba, Brasil. 
Do álbum "PARAHYBAVISTA". http://parahybavista.blogspot.com.br/





TRANSPOSIÇÃO PARADA: CADÊ A ÁGUA DO VELHO CHICO?
Os judeus em poucas décadas transformaram uma porcaria de deserto e pântanos fétidos numa maravilha da agricultura, enfrentando os morteiros dos árabes e tendo que dessalinizar a água do mar. Por que não resolvemos logo esse problema da seca no nordeste? Por que não damos um basta nesses sacanas que vivem como sanguessugas da "indústria da seca"?
Grande parte das obras de transposição do São Francisco está abandonada, por questões políticas e burocráticas, o que acarretará mais despesas de consertos e etc...
Contrastando com a urgência pelos que sofrem com a seca, as obras de transposição do rio São Francisco continuam paralisadas na Paraíba. Segundo um dos engenheiros responsáveis, apenas três lotes da obra estão em andamento. A previsão de conclusão inicial para junho de 2010 foi adiada para o segundo semestre de 2015, segundo o Ministério da Integração Nacional.
Até essa água chegar, depois da copa, das olimpíadas e sabe-se lá mais o que, muito bicho e muita gente vai morrer... De sede e de fome.



CORRUPÇÃO: UMA FONTE QUE NÃO SECA!

No nordeste a única fonte que não seca é a da corrupção.
Irrigando interesses políticos e financeiros, má gestão e distribuição de recursos, obras ineficazes ou concentradas em latifúndios... É a indústria da seca, com seus paliativos emergenciais e eleitoreiros, mantendo o povo sertanejo à margem da riqueza, sufocando-o no pó da própria pobreza. E a água do "velho Chico" está parada, estagnada, correndo o risco de quando finalmente chegar, maltratada, venha mais para irrigar as terras das oligarquias que abastecer de doenças a população que conseguir dela se servir.
Por que o governo ao invés de alagar a floresta amazônica com sua faraônica "Belo Monte" não instala micro usinas eólicas e de energia solar no nordeste, gerando energia para o País e renda para os sertanejos? Afinal, trabalhadores, vento e sol é o que não falta por aqui!
Ninguém acaba com a seca. Mas pode-se aprender a conviver com ela.

"Dualismo no Semi-Árido: combate a seca versus convivência":


INDÚSTRIA DA SECA
Por Caroline Faria




“Indústria da seca” é um termo utilizado para designar a estratégia de alguns políticos que aproveitam a tragédia da seca na região nordeste do Brasil para ganho próprio. O termo começou a ser usado na década de 60 por Antônio Callado que já denunciava no Correio da Manhã os problemas da região do semi-árido brasileiro.
Os problemas sociais no chamado “polígono da seca” são bastante conhecidos por todos, mas nem todos sabem que não precisava ser assim. A seca em si, não é o problema. Países como EUA que cultivam áreas imensas e com sucesso em regiões como a Califórnia, onde chove sete vezes menos do que no polígono da seca, e Israel, que consegue manter um nível de vida razoável em um deserto (Negev), são provas disso. 

A seca é um fenômeno natural periódico que pode ser contornada com o monitoramento do regime de chuvas, implantação de técnicas próprias para regiões com escassez hídrica ou projetos de irrigação e açudes, além de outras alternativas. Estes últimos, porém, são frequentemente utilizados para encobrir desvios de verbas em projetos superfaturados ou em troca de favores políticos. 
Os “industriais da seca” se utilizam da calamidade para conseguir mais verbas, incentivos fiscais, concessões de crédito e perdão de dívidas valendo-se da propaganda de que o povo está morrendo de fome. Enquanto isso, o pouco dos recursos que realmente são empregados na construção de açudes e projetos de irrigação, torna-se inútil quando estes são construídos em propriedades privadas de grandes latifundiários que os usam para fortalecer seu poder ou então, quando por falta de planejamento adequado, se tornam imensas obras ineficazes. 
O Açude do Cedro, em Quixadá (CE), é frequentemente utilizado como referência para descrever este tipo de empreendimento da indústria da seca: com capacidade para aproximadamente 126 milhões de m³, foi construído em pedra talhada à mão, com esculturas e barras de ferro importadas, mas que chegou a secar completamente no período de 1930 a 1932, durante um dos piores períodos de seca enfrentados pela região, ou seja, quando mais se precisava dele. Mais uma obra faraônica, na longa história de projetos faraônicos da indústria da seca. É claro que hoje a obra constitui um patrimônio histórico e cultural importante, mas é como distribuir talheres de prata para quem não tem o que comer. 
E a história se repete. A transposição do Rio São Francisco é um dos pontos principais da campanha do governo atual e é uma questão mais que polêmica. De um lado estão aqueles que defendem que a obra é legítima e poderá acabar com a seca do nordeste (senão todo, pelo menos grande parte dele). E de outro aqueles que defendem que a obra é mais um fruto da indústria da seca e que além de não resolver o problema, ainda pode agravá-lo ao alterar todo regime hídrico da região e pôr em risco um dos patrimônios naturais mais importantes do Brasil colocando em risco a sobrevivência do próprio rio. 
Assim a situação segue. Perpetuada antes pelo fenômeno político da chamada “indústria da seca” do que pelo fenômeno natural da “seca” em si, a tragédia que atinge grande parte da região nordeste brasileira e parte da região norte de Minas Gerais costuma ser utilizada (e supervalorizada) para justificar a fome e o subdesenvolvimento econômico e social da região que são, nada mais, do que o reflexo de uma administração duvidosa que faz fracassar qualquer tentativa de reverter este quadro com o intuito de fazer perdurar o modelo de poder vigente. 





Bruno Steinbach. "Árvore do Cariri". Infogravura / papel couchê, 29,7 x 42 cm, 2010. Paraíba, Brasil.







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